domingo, 1 de julho de 2018

Condenado

Não sinto saudades dela
Nunca a tive
Ela nunca me teve
Não tenho o direito de me entregar
Não tenho o direito de amar
Nego as possibilidades
Não posso estragar a vida de alguém

Quem confiaria em alguém que carrega a minha história?
Quem dividiria a vida com a personalização do problema?

Estou condenado à solidão
Quando alguém aparece
E meu coração palpita
Meu cérebro diz que não
Tenho que deixar
Antes de chegar
Tenho que sair
Antes de entrar

Como é dolorido ter que conviver com isso
Logo comigo
Sensível ao toque
Apreciador do olhar
Como gostaria poder fazer alguém feliz
Mas só podemos oferecer o que temos
E nesse momento
Debaixo da coberta
Aos prantos
Me faltam as palavras
Já não aguento mais
Não posso suportar
Já não sei o que escrever
Nada tenho que me dá forças para continuar
Assim chego ao fim
O fim
Meu fim

sábado, 30 de junho de 2018

Noite de um sábado

Me vejo escrevendo fazendo perguntas
Me vejo deprimido na noite de um sábado
Assistindo série e apostando no acaso

Me deparo com uma foto sua na rede social
Me deparo com o esquecimento versus a lembrança
Preciso de outro alguém para depositar minha esperança

Me vejo esperando o cumprimento de uma palavra
Me vejo enraivado pensando em desistir
Talvez tudo o que preciso seja apenas sair

Me deparo com o som da televisão explanando violência
Me deparo com a lembrança da festa deixada à mesa
Tenho que distrair meu cérebro e fazê-lo com que esqueça

sábado, 14 de outubro de 2017

Fumaça

Como é difícil
Ser tão profundo e exigente
Não entender a não reciprocidade
De uma relação tão linda
De compartilhamentos
De segredos
É difícil aceitar
O não
O envolvimento com outro alguém
Quando você sentia que havia
Algo
Entendido errado
Muito errado
E o tempo e minha personalidade me transpareceram
Minhas fragilidades
Aquelas que já havia dito
Já havia sentido
Que ficaram mais fortes
Que me tornaram insuportável
Até que tudo se fragilizou
Até que suspeitei do que depois se confirmou
O envolvimento
Aquele alguém
Um alguém do meu círculo
Meu pequeno círculo
E agora?
Não suportarei
Sinto como se fosse mais uma injustiça em minha vida
Uma vez mais meu coração se despedaça
Sinto vontade de desabar
Ainda que já estou no chão
Algo em mim resiste
Algo não me deixa derramar lágrimas
Mas eu quero
Quero sentir
A dor
A tristeza
Junto com água salgada
Quero sentir ainda mais essa angústia
Quero encharcar tudo a minha volta
A tristeza se estabeleceu em mim
Fez de meu corpo sua moradia
Já há tempos
Ela se fortalece a cada baque que me ataca
E é só o que acontece
Não sei o que é alegria
Não sei o que é prazer
Tampouco tenho esperança
Tudo se junta
Passado
Presente
Pergunto-me inconscientemente como sobrevivo
Como suporto
Há tanto tempo
Todas essa coisas ruins dentro de mim
Será que um dia vou superar?
Será que vou suportar?
Olho pra frente e não vejo futuro
Olho para o passado
Para o presente
E só sofrimento
É tudo doloroso
Não há alguém
Não há algo
Não há um lugar que me conforte
Sonhava um futuro com ela
Imaginei que fosse questão de tempo
Até ela perceber
E percebeu
Que eu nunca tive algo a oferecer
Tenho nada a oferecer
Sou vazio
E cheio
Cheio de fumaça que exala cheiro de fracasso
É o que sou
É o que tenho
Nada

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

A cada palavra

A cada texto, a cada palavra
que escrevo pra você
que escrevo pensando em você
parece sempre em vão
Não vejo
não percebo
não sinto resultados

A cada texto, a cada palavra
que escrevo pra você
que escrevo pensando em você
fortalece algo
algo inexplicável
algo por si só
algo

A cada texto, a cada palavra
que escrevo pra você
que escrevo pensando em você
me entristece
porque são só palavras
são só palavras
palavras

A cada texto, a cada palavra
que escrevo pra você
que escrevo pensando em você
me felicita
porque te sinto nas escrituras
porque te penso a cada momento
porque é você

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

A revolta do meio

Já sabíamos. É preponderante usar a primeira pessoa no plural, sim, eu sei, mas é um compartilhamento que sinto necessidade de gritar. Como vocês não sabiam? Não estava nítido?
Com Aécio, o brasileiro rejeitou, em 2014, um Brasil que seria entregue à individualidade. Mas como o indivíduo alcança o mérito largando atrás? Vendo apenas (ou sequer) os rastros dos poderosos, a voltas à frente, deixados pelo caminho. Ouvindo o barulho do salto alto da média classe à sua frente que, por terem nascidos em uma equipe mais forte, pilotam carros mais potentes. O Brasil seria entregue a essa disputa desigual se 2014 tivesse terminado diferente.
Os pilotos dos carros mais potentes fizeram o Brasil ouvir o ronco de seus motores nos estádios. Eles estavam lá por que só eles tinham condições de estarem lá. Voltemos um pouco no tempo para entender essa revolta dos médios. Por que esse ódio?
Os governos comunistas do Petê proporcionaram aos bancos, durante suas gestões, lucros recordes à categoria. Ponto para a classe alta.
O Brasil chegou à sexta economia do mundo. Ultrapassamos o Reino Unido. Isso é PIB. PIB é dinheiro do empresariado, dos proprietários dos meios de produção. Ponto para a classe alta.
Programas de infraestrutura alavancaram obras de engenharia. Empreiteiras brasileiras protagonizaram anos de glórias, não só em território nacional, mas também em representações latinas e africanas, quando estávamos protagonizando junto aos BRICS um ensaio de nova ordem mundial. Ponto para a classe alta.
Na outra ponta, os pobres viram seus semelhantes entrando nas universidades. Institutos técnicos e universidades federais surgiram e ou foram ampliados aos montes. Mais vagas e políticas de cotas para tentar contrapor a corrida para com aqueles que largam atrás. Ponto para a classe baixa.
O rejeitado pela burguesia passou a ser disputado por ela. O pobre passou a integrar mercado consumidor, haja vista o incremento ou agora existência de sua renda em virtude de bolsas, que contemplam o programa de redistribuição de renda. Soma-se a isso os sucessivos aumento real do salário mínimo e aumento dos postos de trabalho, uma vez que a classe alta está em plena condição de contratar para produzir para o próprio pobre consumir. Ponto para a classe baixa.
Agora… e o meio? Pois é! O meio não se viu representado pelas gestões da estrela vermelha. Viu, pelo retrovisor, os pobretões se aproximando… e até uns a seu lado. Inadmissível, não!? Viu, à sua frente, apenas a sujeira no asfalto deixada pelos poderosos. Seu objetivo mais distante.
A classe média b(r)anca sua própria educação. Sua saúde. Tem acesso a lazer. Mas apesar de ter mais condição de ser culta e (bem) informada que a classe baixa, está condenada a sempre ser média. Prefiro acreditar que seja por opção, apesar de já ser uma contradição. Como pode tamanha ignorância que não permite saber que…
A classe média só será alta se deixar de ser piloto e passar a ser construtor.
O Petê produziu um Brasil estabelecendo uma bem sucedida relação entre proletário pobre e burguesia rica.. e mais rica.. e ainda mais rica. E isso porque é comunista. Kakaka. O meio da tabela, que no brasileirão não é G6 e nem Z4, costuma ficar esquecido. E ficou.
Sem representação, sem upgrade, o ronco dos motores soou forte. Muitas (e decepcionantes) vezes podendo esses sons ser traduzidos em insultos e expressões de preconceito. A rebelião das máquinas uniu-se à rebelião dos chefões, que em vista de um desastroso plano econômico no forçado quarto mandato petista, os poderosos viram seus resultados piorarem. Do meio pra cima, a crença era de que o impedimento tinha que ser marcado. O juiz tornou-se protagonista da partida. Uma onda amarela pressionou. Com o supremo e tudo, impedimento marcado. A disputa desigual que teria sido derrotada ao fim de 2014 começa ao fim de 2016.
Um Brasil com a cara da derrota, aquela vencida no ano da Copa, começa a ser praticado. O projeto é outro. E já sabíamos o que aconteceria em caso de marcação de impedimento. Dissemos: vão diminuir o Estado; vão tirar direitos; vão tratar nossas riquezas naturais como moeda em troca de qualquer coisa; vão entregar o Brasil para o estrangeiro; vão e vão e vão e foram. Dissemos e aconteceu. Como vocês não perceberam? Não estava óbvia a diferença de projeto de Brasil? Como negociar com gente do tipo que agora sabemos como são? Como se manter intacta junto a um mar de conspiração e ambiente corrompido? Até os do apito tem um time. Até os do apito. Ou ainda resta dúvida?
Se o chão está sujo, varre-se o chão. Não tira o piso.
Ver o fim da fome ao seu lado não é motivo para competição, mas sim para compaixão. Comemoração.
Muitas incertezas para o que nos espera a partir de 2019. 2018, nesse meu tempo de vida, é o ano mais temido pra mim. Tenho medo. Vejo um cenário, hoje, muito defeituoso. Temo sua expansão. Minha única esperança é que as pessoas estejam enxergando esse mesmo cenário com as lentes certas. Que percebam o quanto melhoramos (ainda que com ressalvas) nos últimos anos e estamos vendo tudo ir por água abaixo em poucos meses. Este projeto estará passando na tua TV em 2018. Rejeite-o. Rejeite, também, a ignorância, a brutalidade, a intolerância, o mau exemplo. Brasil não tem que ser Brazil. Nosso objetivo e nossos meios têm que ser melhor que isso.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Homenagem aos pais e às mães

Homenagem aos pais e às mães, aqueles que te incentivam e te fortalecem na sua árdua caminhada, só que ao contrário; aqueles que te apoiam e te ajudam em suas difíceis decisões, só que ao contrário; aqueles que te elogiam nos momentos oportunos para te fazer sentir capaz e especial, só que ao contrário; aqueles que fazem questão de te valorizar perante pessoas alheias e externas às condições mais pessoais e sensíveis da sua vida, só que ao contrário; aqueles que fazem questão de contribuir para sua saúde mental e autoestima, só que ao contrário; aqueles que te dão os melhores exemplos a serem seguidos, só que ao contrário; aqueles que te respeitam, entendem seus defeitos e limitações, só que ao contrário.
Obrigado! Vocês são indispensáveis e tudo na minha vida, só que ao contrário.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Busco uma música

Busco uma música
Que conte uma história semelhante à minha
Que me ajude a tirar o nó da linha
Pra alguém poder me ouvir

Busco uma música
Que descreva tudo o que guardo aqui dentro
Que ajude a me desvincular desse momento
Pra eu não poder cair

Busco uma música
Que ritmize a minha trajetória
Que traga a minha vitória
Pra eu poder sentir