sexta-feira, 10 de junho de 2016

Sufocado em um único parágrafo

Tenho passado por momentos difíceis. Melhor dizendo [leia-se escrevendo], estou em uma fase terrível. Horrível. Adicione aqui todos os sinônimos do tipo. Escrevo neste momento ouvindo, usando fone, (Il meglio di) Amedeo Minghi. Necessito de isolamento acústico. Reclamo pelo mundo paralelo que o fone de ouvido nos proporciona porque meu mundo real não me deixa viver. Opto por isso ainda que me sinto desconfortável usando fone por certo tempo. Minhas orelhas pequenas não se dão muito bem com fones e tenho que abusar do volume (alto) para inibir o máximo possível o que se passa afora. Minghi me oferece a doçura da poesia, de uma bela voz, de aconchegantes palavras no maravilhoso idioma italiano, que tanto gosto e aprecio. Necessito disso e muito mais para tentar estar a confins da minha realidade. O muito mais está fora do meu alcance, e sequer é, de fato, muito. Esse muito se resume a paz. Simples e puramente paz. Nesta minha interminável fase (ruim) passo por mal momento em muitos dos aspectos de uma pessoa. Isso sendo benévolo comigo, porque sequer me considero alguém. Sou invisível aos olhos de todos, inaudível aos ouvidos de todos. Sem vez, sem voz. Nada posso naqueles que me fragilizam. Me sinto sufocado. Meu diagnóstico que já sabia antes do psicólogo me dizer o mesmo. O psicólogo me recomendou ir à praia e dar um grito. Fazer escapar por meio do berro um pouco da nociva nuvem que há dentro de mim. Nuvem criada propositalmente que inalo amarrado, obrigado. Me deixa sufocado. Não tanto quanto você que está lendo tudo em um único parágrafo. Não tanto quanto você possa imaginar. Ninguém faz ideia do se se passa aqui. Estou em meio a um vazio existencial. Estou degradado psicologicamente, mentalmente, moralmente e até biologicamente. Doente. Meus sentidos estão alterados. Nunca me encontrei onde estou agora. Não me reconheço. Verdade é que minha infância, adolescência.. nunca foram bons anos. Aqueles tempos mágicos na vida de muitos, pra mim foi apenas uma fase mais de torturas psicomoralistas cometidas a mim. E, para variar, esta mais uma. Pausei a escrita. Pausei até a música pra ver uns vídeos. Gosto de humor. E preciso. Preciso rir. Voltei a escutar. O álbum está a um pouco mais da metade. Maravilhoso álbum. Recomendo. Agora vou desligar esta máquina, escovar os dentes, lavar o rosto e me deitar. Que esta noite não seja como a última, que me deixou degradar acordado. O sono é mais um sujeito que me deixa só. Até ele, que muitas vezes esteve comigo, me maltrata agora com sua ausência. Não há, na verdade, do que se espantar. O ódio se abrigou inside me. É o que sinto. A nuvem densa odiosa me devora por dentro e não deixa outrem entrar. Preciso de ajuda. Socorro. Enfim. Fim.

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